Gombrich não morreu.

Só foi descoisificado.

Arquivos da Categoria: Arte Contemporânea

O Realismo (hard) de Pedro Campos

Daí que recebi a noticia de que um grande amigo havia sido aprovado em um curso de Design, na semana passada, fiquei super feliz por ele, e junto com a felicidade me veio uma vontade (cada vez mais rara) de desenhar. Rabisquei algumas coisas até que resolvi que precisava praticar mais uma técnica de transparência e reflexo, então fui ao Google Imagens buscar uma fotografia com tal elemento, que pudesse usar como referencia. Achei esta aqui:

Legal, a foto vai servir e…OH WAIT, que legenda é essa? ‘Oil on canvas 160 x 114 cm’ o__O

Quando meu cérebro parou de escorrer pelo nariz, consegui descobrir que o responsável por eu decidir nunca mais desenhar ou pintar na vida, é o artista espanhol Pedro Campos, de 44 anos. Além de fazer jovens pseudoartistas terem crise existencial, Pedro também trabalha com restauração, o que o possibilitou observar técnicas e nuances de vários artistas ao longo dos anos. 

Oil on canvas 150 x 150 cm

Oil on canvas 116 x 81 cm

Oil on canvas 116 x 81cm

Oil on canvas 195 x 97 cm

As obras de Pedro Campos estão expostas em galerias em Londres, Madrid, Chicago, entre outras cidades ao redor do mundo, e podem ser visualizadas em melhor qualidade aqui: http://www.pedrocampos.net/index.htm

Estou deitado na BR do Recalque, apenas.

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Gente que não reclama.

Honrando o nome do blog, estou trazendo pedaços de coisas do Gombrich que acho por aqui, e que acho bacana dividir. E justificar porque o amamos. <3

Sabemos da existência da Idade da Pedra e da Idade do Ferro, da Idade Feudal e da Revolução Industrial. A nossa visão desse processo  pode ter deixado de ser otimista. Podemos estar cônscios tanto das perdas como dos ganhos nessas sucessivas transformações, que nos transportaram até a Era Espacial. Mas, a partir do século XIX, ganhou raízes a convicção de que essa marcha das Idades é irresistível. Sente-se que a arte, não menos do que a Economia ou a literatura é empolgada por esse processo irreversível. Na verdade, a arte é considerada a principal “expressão de uma época”. Aqui, em particular, o desenvolvimento da história  da arte (e mesmo um livro como este) tem seu quinhão na propagação dessa crença. Não sentimos todos nós, à medida que folheamos suas páginas, que um templo grego, um teatro romano, uma catedral gótica ou um moderno arranha-céu “expressam” diferentes mentalidades e simbolizam tipos diferentes de sociedade? Existe certa verdade nessa convicção, se com ela quisermos simplesmente significar que os gregos não poderiam ter construído o Rockefeller Center e talvez não quisessem construir a Notre Dame de Paris. Mas, com demasiada freqüência, é subentendido que a condição da Idade deles, ou o que se chama o seu espírito, estava fadado a desabrochar no Partenon, que a Idade Feudal não podia deixar de criar catedrais e que nós estamos destinados a construir arranha-céus. De acordo com esse ponto de vista, do qual não compartilho, é fútil e absurdo, evidentemente, não aceitar a arte do período a que  se pertence. Assim, torna-se suficiente que qualquer estilo ou experiência seja  proclamado “contemporâneo” para que a crítica sinta a obrigação de o entender e promover. É através dessa filosofia de mudança que os críticos acabaram perdendo a coragem de criticar e passaram a ser meros cronistas de acontecimentos. Justificaram essa mudança de atitude apontando as notórias falhas de críticos mais antigos, que não reconheceram nem aceitaram a ascensão de novos estilos. Foi, sobretudo, a recepção hostil inicialmente dispensada aos impressionistas, depois guindados  à fama e fazendo jus a altos preços, que propiciou essa falta de coragem. Surgiu e espalhou-se a lenda de que todos os grandes artistas eram sempre rejeitados e  escarnecidos em seu tempo; por isso o público faz o louvável esforço de não mais rejeitar nem zombar de coisa alguma. A idéia de que os artistas representam a vanguarda do futuro, e que somos nós e não eles quem fará triste figura se não os soubermos apreciar, apossou-se, pelo menos, de uma vasta minoria.

GOMBRICH, E. H. A história da arte. 16a. edição, p. 612. São Paulo: LTC Editora, 2000.

Tron, Romero Britto e Hollywood

Aí que sexta-feira Romário (O Que Ainda Não Escreveu Aqui) e eu fomos ver Tron: Legacy.

AQUELE é o Tron.

Dois dias antes, resolvi assistir ao original, de 1982. Ouvi rumores de que, na época em que foi lançado, o filme só não ganhou mais prêmios porque a quantidade de efeitos digitais era tanta que muitos  consideravam isso trapaça. Sim, trapaça. Afinal, não eram coisas de verdade que estavam na tela. Eram truques de computador.

(É só lembrar que o fantasma de Ghost era um avanço incrível, e olha que foi feito oito anos depois.)

Enfim. Vi o original e achei incrível. Óbvio que em termo de computação gráfica não é nada se comparado ao que temos hoje, mas era algo sem precedentes pra década de 1980. O enredo do filme é bacana: Kevin Flynn, um hacker, tenta invadir o sistema de uma empresa, a ENCOM, que pertenceria a ele caso seus projetos não tivessem sido roubados pelo atual manda-chuva do lugar. Mil coisas acontecem, Flynn acaba sendo sugado de corpo e alma para dentro do sistema e interage com os programas, naquele mundo parecendo pessoas muito bizarras e malvestidas.

Os programas têm uma espécie de religião, e acreditam em seres maravilhosos chamados de ~usuários~, veja só. Os Usuários são as pessoas que os criaram e se comunicam com eles como se fossem guias espirituais. Há um programa que ajuda Flynn em sua jornada, chamado Tron. Ele foi criado para ser independente do sistema mestre, e luta pela liberdade. Etc, enredo, enredo, vilão, etc. Fim. Como um bom filme hollywoodiano pré-anos 2000, é contido, conta uma história simples, acaba e pronto. Legal. A vida continua.

O mesmo não acontece com Tron: Legacy.

O legado de quem, mesmo?

Romário e eu fomos assistir sem expectativa alguma. Eu mesmo só tinha ido pela trilha sonora — e olha que eu nem conhecia Daft Punk; sim, me crucifique — e pelo visual. O mesmo pra ele. Acabou que o filme superou em muito as nossas expectativas: era lindo em todos os aspectos visuais e sonoros e, descontando os eventuais buracos na história, ficamos animados e surpresos ao assistir. Pelo menos até os últimos quinze minutos, que devem ter sido deixados pro estagiário de office-boy da Disney escrever.

Acontece o seguinte: em Legacy, Kevin Flynn está desaparecido há 20 anos. Seu filho, Sam Flynn, agora dono da ENCOM, não faz ideia de onde o velho foi parar, até que ele próprio acaba entrando na Grade — agora o mundo-sistema tem nome — e descobre que um programa chamado CLU, criado à imagem e semelhança de seu pai, controla tudo e é vilão e isso.

Spoilers aqui. Depois de mil batalhas e efeitos especiais que fariam o Narrador da Sessão da Tarde enfartar ao descrevê-los, Sam encontra o pai e uma programa chamada Quorra; os usuários  têm que sair da Grade para desativar CLU por fora, por meio de um portal que, segundo o Flynn mais velho, é impossível de se alcançar.

Exceto que não. Tem um trem-coisa que vai em linha reta até o lugar (?). É desse tipo de furo de roteiro que encontra-se lá. Fora que em Legacy os programas dançam, bebem, comem e até jogam Go. Eles não são mais programas, como… era pra ser.

Ah, e o Tron mal  aparece. Quer dizer, o filme tem o nome dele, mas ele fica em segundo, não, em terceiro plano. Aparentemente foi reprogramado por CLU e agora virou um subvilão de poucas palavras (o pior tipo). É por culpa dele que o final do filme começa a descambar. Tron morre, mas não morre (deixando uma ponta solta); Flynn-pai e CLU morrem, mas não morrem (outra ponta solta). Sam consegue escapar para o mundo real.

Junto com Quorra. Que é um programa. Em vez dela sair do computador como um arquivo .exe num pendrive, não, é uma mulher de carne e osso passeando na garupa da moto do protagonista (nessa parte o Romário estava morrendo).

Resumindo, o filme é lindo. Visual e sonoramente impecável. Claro que tem os furos de roteiro já esperados da média dos filmes farofa de Hollywood, mas é lindo. Nós dois saímos xingando muito no Twitter (mentira), tamanha foi a decepção com o final. O que me irritou profundamente, na conclusão,  foi a quantidade absurda de pontas soltas propositais que o longa deixou. Acabou-se a era de se criar histórias bacanas pra passar o tempo. Agora cria-se franquias imensas, coisas que serão legais e obrigatoriamente terão continuações.

O que nos leva ao segundo assunto que pensei pra esse post. Franquias e continuações. Mais ou menos.

Pouco antes de Romário e eu entrarmos no cinema, vimos umas estampas num painel, lá no shopping, cheias de coisas do Romero Britto. Imediatamente reagimos com o olhar Ugh, Romero Britto (é engraçado, peça pra ver um dia) e desdenhamos da imagem quando passamos. Ontem havia projeções de brittonices no cenário do Domingão do Faustão — como eu me sinto mal por falar disso aqui no GNM —, o que me fez decidir emendar esse assunto nesse post.

Romero Britto. Atlantic Family Tree. Acrílico sobre tela, 203 x 229 cm.

O cinema das massas tem as franquias planejadas supermilhonárias. Romero Britto tem a receita do sucesso. Pena que só funciona pra ele: faz anos que o cara faz a mesmíssima coisa e todo mundo adora. Não vou dizer que é feio, porque não é. É legal, colorido, bacana, mas não muda. Fora que está estigmatizado, de tão divulgado. Não consigo olhar pra uma pintura dele e não pensar numa caixa de Omo ou em alguma instituição de crianças com câncer.

(Você pode ver mais no site oficial dele).

Eu sei que tem muita gente que nem o considera um artista, dada a repetição e a fórmula aparentemente pronta das pinturas — linhas grossas, cores puras, estampas mil, estilização extrema — agora se ele é mesmo ou não, é outra história. O fato é que Britto foi viver nos EUA e fez a vida por lá. Seu estilo é visto com bons olhos por muitas marcas que o chamam pra produzir imagens promocionais para cartões, camisetas, cartazes, ou seja lá que tipo de instalação ~artística~ tenham em mente.

A arte de Romero Britto é hollywoodiana. Amamos, é linda, todo mundo entende e acha legal, mas é basicamente a mesma coisa há décadas. Mudar faria ele perder público? Continua sendo arte, mesmo que seja feita pra fins comerciais de entretenimento de massa?

GNM Investigativo/Expectativas Expectantes

Ó o climão de entrevista aqui. Teclando ao vivo (oi) em momento jornalista. Já que ninguém precisa de diploma pra fazer isso.

Estou escrevendo isso aqui na sala de aula de Gravura do quarto ano do curso de Educação Artística da UNESP de Bauru. O mesmo em que me formei ano passado. Tô aqui de bicão, dizendo que vim falar com uma das professoras pra poder começar a publicar e ganhar pontos mágicos acadêmicos a fim de engrossar o currículo pra um futuro mestrado.

Hoje (01/06) saiu a lista dos artistas participantes da 29ª Bienal de Arte de São Paulo. OK, eu acompanhei umas citações legais no twitter do momento da audiência e tal, quando estavam anunciando, mas acabei nem conferindo mais nada depois. Aqui, agora, acho que ninguém ainda viu, e como toda vez que tem bienal o povo da faculdade faz excursões pra ir ver as exposições, resolvi ver o que é que o povo tá esperando pra esse ano.

Ou seja, isso aqui vai ser basicamente um post de Por Quê a Bienal Passada Foi Horrível. Isso se as três pessoas desocupadas aqui à mesa pararem de falar de Gossip Girl. E as outras duas voltarem a uma temperatura saudável, dado o estado de encampotamento vestiário causado pelo frio enregelante bauruense.

Primeiro, Giovana. Fale da Bienal.

Bruno Müller. Giovana me ignorando. Fotografia, 400x300px. 2010.

Péra, ela voltou a falar daquele maldito seriado. Um momento.

Certo, gente, o experimento não tá dando certo. Não vai dar pra escrever aqui. O Templo do Saber não está funcionando como ambiente de discussão. Vou voltar a escrever quando chegar em casa, ou estiver no ônibus voltando, ao lado do Romário (aquele que até agora não escreveu nada aqui, apesar de ficar prometendo).

… Tá, última tentativa. Acho que isso eu consigo tirar deles. Ei, digam “uma frase que represente o que espera para a bienal desse ano”. Ok, Gi diz “Lady Gaga”, depois complementa com “Puta falta de sacanagem”. Romário diz “andar menos para ir até a Liberdade”. Monalisa diz que… ela não diz nada, só fala que não espera nada porque desencanou de tudo (uhul, Mona, bem vinda ao quarto ano). Marcelo: “espero que aquele tobogã esteja lá de novo”. Ju, supersincera, “uma bosta, com sempre”.

E você achou que ele tava zoando, né?

(Observação casual: Romário diz que promete um post para o fim de semana. Que fique registrado.)

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Voltando. Agora hoje, mesmo, dia 14 de junho. Deixei o blog perdido por duas semanas porque resolvi estudar pro mestrado (sim, aquela conversa com a professora lá em cima me animou). Me endividei comprando todos os livros da bibliografia básica, mas vá lá. Agora não tem volta. Droga. (brinks) Fiquei longe porque estava lendo, mas voltei.

Arrãn.

Bienal. 29ª Bienal de Arte de São Paulo. O título da exposição desse ano é “Há sempre um copo de mar para um homem navegar”; verso estripado do poeta Jorge de Lima. Tal frase “sintetiza o que se busca com a próxima edição da Bienal de São Paulo: afirmar que a dimensão utópica da arte está contida nela mesma, e não no que está fora ou além dela”. Neste ano, a equipe de curadoria tem seis membros, cada um de um canto do planeta.

A concepção da identidade visual do evento desse ano foi superbacana, e postaram dois vídeos no YouTube mostrando todo o processo. Vale a visita, no caso de ver aquelas bolas coloridas estranhas no fundo amarelo e dizer que não entendeu nada.

Essas bolas.

Em 2010, a proposta da Bienal é aproximar a arte da política. Não no sentido “olha meu quadro, vota em mim, lol”, mas no de ambas tratarem de conflitos e paradigmas sociais. O legal é que, ao contrário de outros anos, onde a escolha dos artistas partia do Brasil e dos vizinhos, a seleção agora aboliu as representações nacionais, e tem gente de origens extremamente variadas entre os 145 artistas que vão expor. Óbvio que, como eles mesmos atestam, é preciso enfatizar um lugar e um tempo e, por isso, muitas das obras são de brasileiros, mas sem terem um tratamento à parte das demais.

Aproximo-me do fim do post. Espero que a Bienal desse ano seja legal. A última não foi aquelas coisas, com o andar vazio e as obras esquisitas. (É válido ressaltar aqui que os comentários da galerë ali de cima são todos tendenciosos, já que todos eles odeiam arte contemporânea, até onde eu sei).

E assim voltamos à programação normal.