Gombrich não morreu.

Só foi descoisificado.

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Faniquitos e Rabisquitos

 

Diego Rivera. La Historia de México. Mural no Palácio Nacional do México. 1929.

 

Arte urbana. Pixações, intervenções, grafitti ou muitas vezes puro vandalismo (será?). É a maneira mais fácil e chocante de ser visto e lembrado nas grandes cidades, com paredes cinzas e monótonas, tendo seu cotidiano perturbado por alguma mensagem ou pintura.
Esse negócio de pintar nas paredes pra provocar os outros é velho, mas ficou famoso lá por 1930, com os muralistas do México, que usavam as paredes para divulgar mensagens sociais e políticas.

Prossigamos com o resumo da ópera de um CAUSO de alguns dias atrás, acontecido aqui no país tropical. O Museu de Arte Moderna (MAM) de São Paulo abriu uma exposição no dia 16, A cidade do homem nu, que relaciona o erótico com o urbano. Um artista plástico, Alexandre Vogler, ia expor uma obra, que já participou de outras mostras, intitulada Fani dark. Buuh.

Alexandre Vogler. Fani dark. Intervenções anônimas em cartaz de divulgação da Playboy. 2010.

O que aconteceu: a assessoria de imprensa da ex-BBB (o que faz um assessor de ex-BBB?) proibiu a tal obra de ir pro museu porque ela é agressiva e denigre a imagem de Fani.

Não tem como não concordar. Onde já se viu?

Leitura de imagem, para elucidar:

Ela está exposta, indefesa, como se fosse ser atacada por algum maníaco. A pose evidencia uma ancestralidade pura e intocada, representando a virgindade e a inocência da mulher da mais tenra idade. Os dizeres “U-hu! Nova Iguaçu!” representam a ligação da donzela com seu povo, um pedido de socorro desesperado diante da situação terrível em que ela se encontra, clamando por sua gente. O texto logo abaixo, “FANI NA PLAYBOY” é um trocadilho inocente, que mostra as boas intenções da moça, dizendo que ela gosta de brincar com crianças.

Artista malvado. Só porque ela entrou pro BBB, só porque se expôs 24h por dia e depois abriu as pernas pra uma revista fotografá-la de todos os ângulos possíveis, você se achou no direito de denegri-la ao…. ao… wait, o que foi que ele fez, mesmo?

EGO: compêndio de cultura.

Vogler se justificou. Numa exposição que envolva a cidade e o erotismo inerente na mesma, a idéia de colocar um cartaz que seria rabiscado por quem quer que fosse visitar o espaço não é nada mais lógico. É o mesmo de um tempo atrás, na exposição do MASP “De dentro para fora / De fora para dentro”, sobre grafitti e arte de rua, em que os visitantes podiam escrever e desenhar em uma das paredes. Arte urbana, criação coletiva e anônima. Não é pra ser bonito, é pra fazer pensar. É uma intervenção no cotidiano, pombas.

Claro que eu estaria sendo imparcial e apoiando o artista se eu não colocasse o lado dela aqui, reportado no EGO (como todos sabemos, o último reduto de sabedoria da internet):
“Em nenhum momento ele me disse que foram interferências feitas por visitantes do museu, nem que esses cartaz já tinha sido exposto no Museu de Arte Contemporânea, de Niterói. Ele enfatizou que a obra era de autoria dele, inclusive as intervenções. Ele não tinha autorização para nada, nem para divulgar a foto que está mostrando”.

Claro que Vogler tentou contra-argumentar, explicar o porquê de ter aceito o impedimento e não ter exposto a obra:
“A assessoria da Fani disse que o trabalho não agregava coisas boas à imagem dela, como se ela pudesse autorizar ou não a realização de uma obra de arte”.
Ainda bem que o bem e a justiça prevaleceram, porque Fani tinha a razão:
“Já pintei quadros, meu tio e minha mãe também pintam”.
Infelizmente, o tio e a mãe de Vogler não pintam.