Gombrich não morreu.

Só foi descoisificado.

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Os colhões de Fayga Ostrower

Estava pensando em postar só essa citação linda da mais linda ainda Fayga, mas convenhamos que eu tenho estudado bastante (ahem) e tenho cojones pra dar meus dois centavos~

Então vem com a tia…

“O vício de considerar que a criatividade só existe nas artes, deforma toda a realidade humana. Constitui uma maneira de encobrir a precariedade de condições criativas em outras áreas da atuação humana, por exemplo, na da comunicação (…). Constitui, certamente, uma maneira de desumanizar o trabalho.”

TODA A REALIDADE HUMANA!

Fayga começa esse livro – Criatividade e Processos de Criação – pontuando elementos biológicos, psicológicos e culturais do processo criativo, colocando-o como um ato inerente do ser humano e de toda sua história, somos seres que criam, em TODAS as nossas atividades diárias estamos criando, então pare de ficar bitching about seu colega desenhista achando que você é um pobre infeliz que não serve pra nada. Dito isso:

“(este vício) reduz o fazer a uma rotina mecânica, sem convicção ou visão ulterior de humanidade. Reduz a própria inteligência a um vasto arsenal de informações “pertinentes”, não relacionáveis entre si e desvinculadas dos problemas prementes da humanidade. Nessas circunstâncias, como poderia o trabalho ser criativo?”

Ela relaciona o criar com o fazer, pois sem o fazer, o criar permaneceria restrito ao repertório do pensamento individual, mesmo que você coloque em palavras o que pensa, o que você pensa não são palavras apenas. A expressão do pensamento concretizada em imagens, objetos e textos está ligada diretamente com o ato criativo. Todos cria <3

Para o bem ou para o mal. TODOS CRIA.

Para o bem ou para o mal. TODOS CRIA.

“ (…) não só se exclui do fazer o sensível, a participação interior, a possibilidade de escolha, de crescimento e de transformação, como também se exclui a conscientização espiritual que se dá no trabalho através da atuação significativa, e sobretudo significativa para si em termos humanos.”

Ela fala do sensível não em termos melodramáticos e açucarados ou piegas, isto igualmente explicado no início do livro. É sensibilidade ligada ao sensório, aos sentidos e como processamos e interpretamos as informações ao nosso redor, e como isto faz parte direta com a criação. Percebe que cada vez mais podemos ligar nosso dia inteiro a atos de criação e realização?

(Ah, ela fala de virtual e real, é fantabuloso, mais ainda se vc conhece o delícia do Pierre Lévy e seu “O que é Virtual?”)

Gatcheenhovirtual007 está online~

Daí como se não fosse o suficiente ela ter chutado a boca de quem diz que ser um padeiro não envolve processo de criação AND criatividade, ela termina com um Gyro Drive Smasher e te deixa sem saber de onde veio a porrada.

Fayga VS. Gombrich (não pode ser desvisto~)

 

“Enquanto o fazer humano é reduzido no nível de atividades não criativas, joga-se para as artes uma imaginária supercriatividade, (SUPERCRIATIVIDADE, LOL!) deformante também, em que já não existem delimitações, confins de materialidade. Há um não comprometimento até com as matérias a serem transformadas pelo artista. Por isso mesmo, a arte permanece submersa num mar de subjetivismos.” (OSTROWER, F. 1976 p. 39)

 

Sabe quando o shoryuken pega do dedão até a nuca?

K.O.!~

ps: Todos grifo do GNM~

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Faniquitos e Rabisquitos

 

Diego Rivera. La Historia de México. Mural no Palácio Nacional do México. 1929.

 

Arte urbana. Pixações, intervenções, grafitti ou muitas vezes puro vandalismo (será?). É a maneira mais fácil e chocante de ser visto e lembrado nas grandes cidades, com paredes cinzas e monótonas, tendo seu cotidiano perturbado por alguma mensagem ou pintura.
Esse negócio de pintar nas paredes pra provocar os outros é velho, mas ficou famoso lá por 1930, com os muralistas do México, que usavam as paredes para divulgar mensagens sociais e políticas.

Prossigamos com o resumo da ópera de um CAUSO de alguns dias atrás, acontecido aqui no país tropical. O Museu de Arte Moderna (MAM) de São Paulo abriu uma exposição no dia 16, A cidade do homem nu, que relaciona o erótico com o urbano. Um artista plástico, Alexandre Vogler, ia expor uma obra, que já participou de outras mostras, intitulada Fani dark. Buuh.

Alexandre Vogler. Fani dark. Intervenções anônimas em cartaz de divulgação da Playboy. 2010.

O que aconteceu: a assessoria de imprensa da ex-BBB (o que faz um assessor de ex-BBB?) proibiu a tal obra de ir pro museu porque ela é agressiva e denigre a imagem de Fani.

Não tem como não concordar. Onde já se viu?

Leitura de imagem, para elucidar:

Ela está exposta, indefesa, como se fosse ser atacada por algum maníaco. A pose evidencia uma ancestralidade pura e intocada, representando a virgindade e a inocência da mulher da mais tenra idade. Os dizeres “U-hu! Nova Iguaçu!” representam a ligação da donzela com seu povo, um pedido de socorro desesperado diante da situação terrível em que ela se encontra, clamando por sua gente. O texto logo abaixo, “FANI NA PLAYBOY” é um trocadilho inocente, que mostra as boas intenções da moça, dizendo que ela gosta de brincar com crianças.

Artista malvado. Só porque ela entrou pro BBB, só porque se expôs 24h por dia e depois abriu as pernas pra uma revista fotografá-la de todos os ângulos possíveis, você se achou no direito de denegri-la ao…. ao… wait, o que foi que ele fez, mesmo?

EGO: compêndio de cultura.

Vogler se justificou. Numa exposição que envolva a cidade e o erotismo inerente na mesma, a idéia de colocar um cartaz que seria rabiscado por quem quer que fosse visitar o espaço não é nada mais lógico. É o mesmo de um tempo atrás, na exposição do MASP “De dentro para fora / De fora para dentro”, sobre grafitti e arte de rua, em que os visitantes podiam escrever e desenhar em uma das paredes. Arte urbana, criação coletiva e anônima. Não é pra ser bonito, é pra fazer pensar. É uma intervenção no cotidiano, pombas.

Claro que eu estaria sendo imparcial e apoiando o artista se eu não colocasse o lado dela aqui, reportado no EGO (como todos sabemos, o último reduto de sabedoria da internet):
“Em nenhum momento ele me disse que foram interferências feitas por visitantes do museu, nem que esses cartaz já tinha sido exposto no Museu de Arte Contemporânea, de Niterói. Ele enfatizou que a obra era de autoria dele, inclusive as intervenções. Ele não tinha autorização para nada, nem para divulgar a foto que está mostrando”.

Claro que Vogler tentou contra-argumentar, explicar o porquê de ter aceito o impedimento e não ter exposto a obra:
“A assessoria da Fani disse que o trabalho não agregava coisas boas à imagem dela, como se ela pudesse autorizar ou não a realização de uma obra de arte”.
Ainda bem que o bem e a justiça prevaleceram, porque Fani tinha a razão:
“Já pintei quadros, meu tio e minha mãe também pintam”.
Infelizmente, o tio e a mãe de Vogler não pintam.