Gombrich não morreu.

Só foi descoisificado.

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Há apenas arte.

A.M.: Mais uma pergunta, professor. O que o senhor pensa da nova tendência de estudar a História da Arte da mulher?

Gombrich: Nada.

A.M: Terrível resposta…

Gombrich: Não penso nada, porque nós simplesmente não sabemos nada. Veja: há muitas tapeçarias, coisas muito belas, feitas na Idade Média. Como se pode dizer se foram feitas por homens ou mulheres? Não se sabe. Não tem sentido. E não importa. Se eu ligo o rádio e ouço alguém tocando algo muito bem, não posso dizer se é homem ou mulher. Não tem o menor sentido, é irrelevante. Na literatura também, como saber em alguns casos? Jane Austen, por exemplo, sabemos que era mulher. Mas, Georges Sand poderia não ter sido mulher, ela inclusive tentou não ser. É algo que não posso realmente conceber. Não há uma arte da mulher. Há apenas arte.

(Arte-Educação: Leituras no Subsolo)

E um ótimo fim de mês da mulher pra todos vocês, menstruantes ou não.

Só faltam os robôs gigantes o/

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ah gente, não resisti aos zumbis da Jane… <3 Pô, zumbis!

 

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Períodos e filtros

Semanas atrás chegou meu bebê novo, esse lindo, publicado em 1919 e só em 2010 traduzido e lançado no Brasil. É uma Daquelas Obras feitas por uma Daquelas Pessoas que simplesmente recusam respostas feitas e clichés superficiais sobre determinada idéia.

Johan Huizinga, bem como o lindo do Gould no campo da divulgação científica, desenvolve com uma naturalidade digna de relatos familiares toda a realidade religiosa, artística, cultural e política de uma época vista quase sempre como tétrica, triste, estagnada e improdutiva (principalmente)em termos artísticos, conceito esse já disperso pela análisa rica do outro lindo do Gombrich (só lindos hoje no post, pelo menos isso).

Toda e qualquer idéia de tempos passados possui interferência dos períodos posteriores, principalmente em períodos cujos registros são razoavelmente imprecisos e de difícil acesso (é muito mais fácil pra um cidadão comum encontrar um vídeo do Vargas na internet do que topar com uma trova cavaleiresca numa biblioteca, virtual ou não), a Idade Média sofreu ainda mais com isso por se estabelecer cronologicamente entre o turbilhão da Antiguidade Clássica e a florescência fulminante do Renascimento (que como pelo próprio nome diz, dá a entender que foi uma época de renovação e prosperidade em comparação com os séculos anteriores, a famigerada “Idade das Trevas”).

A análise de Huizinga foge destes lugares-comuns a respeito da Idade Média exatamente por não usar apenas registros históricos oficiais, mas também e principalmente os registros de cronistas das diversas cortes da época, pessoas que através de seus relatos sobre seus soberanos e sobre a vida nas cidades, conseguiram imprimir toda a essência profundamente dicotômica e intensa que marcou o período.

Dicotômica pois ao mesmo tempo em que o sofrimento, a fome e a penitência eram condições extremas, também o eram a alegria, o festejo e a riqueza; procissões e cortejos fúnebres de grandes e piedosos homens eram ocasiões onde nobreza e pobreza se misturavam numa única turba lamuriosa; durante grandes batalhas da guerra dos cem anos houve cidades que realizavam procissões diárias madrugada adentro, debaixo de chuva intensa. As paixões intensas levavam a sociedade entre dois pólos muito distantes.

O livro faz ainda relatos de diversos julgamentos de príncipes, sacerdotes e em como a população se colocava diante destas situações de maneira colérica e implacável (considerando que na maioria das vezes era o próprio povo que pedia pela cabeça do réu em grandes mobilizações e longas procissões), muitas vezes levando o alvo ao arrependimento sincero porém tardio.

Leva também a refletir um pouco sobre o famigerado “filtro da nostalgia” e seu colega que aqui eu chamo de “filtro da modernidade”, pois ao mesmo tempo em que tanta gente considera os tempos idos como ideais de vida, sociedade e cultura, clamando que vivemos uma época vazia e desprovida de significado, no outro lado temos os baluartes da vida moderna que dizem que o papel higiênico e a internet são os melhores argumentos de porque a atualidade chuta bundas, dando a entender que toda a sociedade antes disso sofria de maneira profunda por não possuir wi-fi e sabres de luz. Não, eles não tinham como sentir falta, assim como você não sabe a falta que faz saber como cerzir uma calça ou manejar uma espada pra salvar o próprio pescoço.

A parte mais difícil de se analisar e entender um período histórico e um estilo artístico é livrar-se dos julgamentos típicos da mentalidade contemporânea e entender que para aquelas pessoas, naquela época, aqueles recursos (sociais, culturais, etc) bastavam, livrar-se dessa prepotência e mesquinhez de dizer que eles eram ignorantes porque não sabiam o que nós sabemos e esquecer que na verdade, nós só construímos “tudo” isso porque eles “só” chegaram até onde seus recursos permitiram…

DEBUTANDO isso aqui

Um blog sobre arte. Uau, que original (na verdade é, mesmo).

Mas por que começar isso? Por que gastar seu precioso tempo escrevendo algo que tu nem sabe se alguém vai ler?

Porque o mundo é estranho. Quando se mora em uma cidade onde venta muito, em que existe uma orla de palmeiras, um calçadão quilométrico e muitas pessoas desocupadas o decorando, sendo que por alguma razão estranha a paisagem NÃO é completada por uma praia e guardassois, você sabe que tem algo estranho no ar. Bem vindo a Areiópolis. Atente ao fato estranho complementar de não ter areia na cidade. É, sem graça, estou acabando com a piadinha antes de você fazê-la. Ha!
 

O negócio aqui é nervoso, mano.

 

Todo mundo sabe que é uma tendência natural do ser humano fazer merda. Algumas pessoas fazem isso melhor que as outras, é tudo uma questão de prática ou talento natural, porém, por pior (ou melhor) que a merda seja, sempre tem alguém pra cutucá-la depois, dizer se ela tá bem feitinha ou se ela é, de fato, uma bosta.

Mas tergiverso, como diria o Cardoso. Em português: “volta pro assunto, caramba.” Tá.

Há tempos esse blog foi idealizado. Na verdade, só tínhamos o nome e o logo, que obrigatoriamente teria que ser alguma deturpação subversiva condenável da Mona Lisa, nossa amada representante-mor da pintura. Parando agora pra pensar, é meio estranho que o maior ícone da arte ocidental seja uma senhorinha andrógina sem sobrancelhas. Se bem que cada louco com a sua mania. Nós temos a Mona Lisa, o Oriente tem… sei lá, algum Dalai Lama de terracota.

Enfim. Isso é um post de estreia. Eu só deveria dizer “hey, leiam isso aqui de vez em quando, prometo que vai ser legal”.

(A parte de prometer é mentira, eu nunca prometo nada).

Espere por estranhezas e cutucões. A idéia aqui é falar sobre arte.

Sim, aquela coisa fresca e bizarra que os artistas vomitam nas telas, ou as latinhas com cocô, ou as telas em branco oh-superconceituais, os espetáculos que ninguém entende patavina do porquê MEU DEUS AQUELA BAILARINA TÁ FAZENDO O QUÊ? Esse tipo de coisa. Só que de um jeito que dê pra entender.

Vai ser divertido.